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A Sala Verde

O primeiro livro escrito pelo artista plástico pernambucano Bruno Vilela, 38 anos, parece em consonância com seus projetos anteriores, suas pinturas e fotografias: a relação com o tempo, a mitologia, a herança, os horrores. São características que parecem se infiltrar nos mecanismos específicos da literatura (palavra, seleção eloquente de expressões), oferecendo a sensação e continuidade entre diferentes projetos, fundamentando a autoria de Bruno. A obra, “A Sala verde”, será lançada neste domingo, às 16h, na Livraria cultura do Paço Alfândega.
 
‘A sala verde’ nasce comum projeto de residência entre Lisboa e as paisagens selvagens portuguesas”, explica o autor, que passou 70 dias em Portugal. “A intenção inicial era fotografar a natureza selvagem e pintar no sótão do Palácio Pombal, onde eu tinha um ateliê. Voltei ao Brasil com a exposição quase pronta, fiz duas ou rês pinturas, mas as aventuras não cabiam apenas nelas. Eu senti, pela primeira vez, a necessidade de escrever um romance usando as obras como objetos de cena”, ressalta.
 
O livro parte de descobertas familiares feitas pelo protagonista, o ilustrador Joel. Ele reencontra uma herança, um colar, um mapa e uma carta escrita por seu avô, que anos antes foi ara Portugal, abandonando a família, deixando para trás sentimentos amargos e desajustes emocionais. Bruno constrói m panorama de mistérios e obsessões, uma viagem existencial de Joel por paisagens lusitanas. “Uso a história da minha família, minhas angústias, para criar. Sempre usei as memórias e fotos antigas de família. Joel é um alterego”, diz. “O queme aproxima de Joel o vício pela aventura, a paixão elas viagens e pelo novo”, sugere Bruno.
 
“O que me afasta dele é a possibilidade e sentir o verdadeiro medo. O desertar uma mediunidade ou processo de esquizofrenia. Medo da mente”, diz o autor.

Hugo Viana


  
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